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Apostila sobre o tratamento do bambu: teoria e prática

O bambu é um material lignocelulósico, ou seja, constituído de fibras de celulose envolvidas por um aglomerante natural – a lignina. Porém, da mesma forma que ocorre com as madeiras, existem bambus de muito baixa durabilidade, enquanto que outros já são naturalmente mais resistentes.

Dessa forma, deve-se evitar a generalização quando se refere à durabilidade do bambu, pois bambus do gênero Guadua, por exemplo, tendem a apresentar maior durabilidade natural do que aqueles pertencentes ao gênero Bambusa. O principal motivo para uma predileção do ataque de organismos xilófagos por certas espécies de bambu deve-se, portanto, à sua constituição química. Quanto mais nutrientes armazenados tenha o bambu, maior é a possibilidade de que ele venha a ser atacado por tais organismos.

Durante seu amadurecimento, o colmo de bambu sintetiza amido ao longo do ano, e esse produto do seu metabolismo será disponibilizado para a geração posterior de colmos. Apenas colmos muito jovens ou então que estejam próximos do fim de sua vida não tem mais capacidade de armazenarem o amido. Dessa forma, nessas duas situações, tais categorias de colmos estariam livres do ataque do principal predador do bambu – o caruncho (Dinoderus minutus). Pode-se observar na figura seguinte a presença dos grãos de amido no interior das células parenquimáticas. A produção mais intensa de amido se verifica entre os meses de novembro-fevereiro (bambus entouceirantes) e entre maio-agosto (bambus alastrantes).

 

 

 

 

 

 

 

Na maioria dos casos de aplicações para algumas espécies de bambu, cortam-se os colmos com idade superior a 3 anos, quando então suas propriedades físico-mecânicas se aproximam de um valor que será relativamente constante até o final de sua vida útil. Tem-se então o bambu maduro ou o bambu “feito”. Porém, mesmo colmos maduros não estarão livres de sofrerem o ataque de organismos xilófagos, motivo pelo qual se recomenda o seu tratamento. O bambu também pode sofrer o ataque do intemperismo, devido à ação da luz solar ou da incidência das chuvas; em determinadas situações pode-se proteger o bambu por meio de um adequado projeto, como seria o caso de se empregar grandes beirais e apoios para os colmos para evitar seu contato com o solo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Apostila – Tratamento do bambu

Antonio

Licenciado em Matemática (USP-1974), Engenheiro Agrícola (UNICAMP, 1980), Mestre em Eng. Agrícola (UNICAMP, 1987), Docteur en Sciences du Bois (ENSTIB, Nancy, France, 1994). Possui enorme admiração pela "Dádiva dos Deuses" - o Bambu. Co-autor do livro "Bambu de Corpo e Alma", agora em segunda edição, e administrador do site www.apuama.org, projeto pessoal desenvolvido desde 2009.

2 Comentários

  • Olá professor, estou fazendo o TCC utilizando Bambu como reforço de lajes, e gostaria de citar parte dessa apostila. Porém não encontrei o ano em que foi publicada. Poderia me ajudar?
    Muito obrigada, seu material é de grande ajuda.

    • Bom dia. Melhor citar um livro que aborde o mesmo tópico. A banca não gosta muito de “apostilas”, pois não passa por nenhum controle.

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