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Cinzas de sabugo e de palha de milho

Fonte: Engenharia Compartilhada

Quatro pesquisadores da Universidade de Nebraska, em Kearney, estão investigando de que forma o sabugo e a palha do milho podem ser usados para melhorar a durabilidade do material mais utilizado na construção civil: o concreto. Liderado pelo professor assistente de gerenciamento de construção, Mahmoud Shakouri, o estudo pode trazer impactos significativos para a indústria da construção e para a economia global.
Segundo Shakouri, há uma necessidade crescente de produção de materiais mais sustentáveis e o uso do milho pode ser parte da solução. Atualmente, materiais como cinza volante, sílica ativa ou escória de alto-forno são adicionados ao cimento para melhorar a resistência e a durabilidade do concreto. No entanto, as cinzas volantes estão cada vez mais difíceis de serem obtidas à medida que as proibições de eletricidade geradas por carvão aumentam.
A pesquisa em andamento na Universidade de Nebraska visa justamente determinar se as cinzas produzidas pela queima de espigas e palha de milho podem servir ao mesmo propósito: melhorar a durabilidade do concreto ao reduzir a sua permeabilidade. “Dadas as recentes reduções no fornecimento de cinzas volantes e a necessidade urgente de construir uma infraestrutura durável e resiliente, é essencial procurar materiais suplementares alternativos”, disse Shakouri em entrevista ao UNK News.
Iniciativas anteriores mostraram a mistura de subprodutos agrícolas, como cinza de casca de arroz e cinza de bagaço, com o cimento pode reduzir a porosidade do concreto, tornando-o mais resistente à corrosão desencadeada por cloreto. “Considerando que o sabugo de milho é um produto acessível e sustentável em Nebraska, a aplicação dele na indústria do concreto contribuiria para uma sociedade e infraestrutura mais duráveis e sustentáveis”, disse Shakouri.
Misturando cinzas de resíduos agrícolas com cimento, os pesquisadores também acreditam que podem reduzir o impacto ambiental do produto. Afinal, é preciso uma quantidade significativa de energia para produzir cimento, o que, de acordo com Shakouri, não seria tão necessário se ele for substituído por materiais suplementares. “Basicamente, reduzimos a pegada de carbono”, finalizou o professor.
Apelidado de “Ccorncob”, o projeto começou em fevereiro e a divulgação de resultados mais consolidados está prevista para dezembro deste ano. O estudo é financiado pelo programa estabelecido do Nebraska para estimular a pesquisa competitiva (EPSCoR). Além disso, Shakouri também recebeu US$ 205 mil da Iniciativa de Pesquisa de Nebraska para comprar equipamentos de última geração usados para caracterização de materiais e avaliações de corrosão. Os pesquisadores contam com um forno ciclônico de alta temperatura para queimar as espigas de milho e a palha e uma máquina de teste de compressão para medir a resistência do concreto.

Antonio

Licenciado em Matemática (USP-1974), Engenheiro Agrícola (UNICAMP, 1980), Mestre em Eng. Agrícola (UNICAMP, 1987), Docteur en Sciences du Bois (ENSTIB, Nancy, France, 1994). Possui enorme admiração pela "Dádiva dos Deuses" - o Bambu. Co-autor do livro "Bambu de Corpo e Alma", agora em segunda edição, e administrador do site www.apuama.org, projeto pessoal desenvolvido desde 2009.

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