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Como identificar: Dendrocalamus giganteus ou D. asper?

A identificação botânica de uma determinada espécie vegetal é uma tarefa importante, sendo desenvolvida por experientes profissionais. A partir de conhecimentos anteriores e baseado em coleções existentes, por meio de adequada comparação consegue-se identificar um determinado vegetal. Para tal, comparam-se flores, frutos e demais elementos peculiares a uma determinada planta, com dados existentes em uma coleção confiável.

Porém, no caso específico dos bambu, essa não é uma tarefa muito simples pois, a maioria das espécies não produz sementes, ou quando o faz, os ciclos podem ser extremamente longos, podendo superar, inclusive, várias décadas.

Embora tal identificação correta tenha relevância em termos botânicos, no entanto, para uma aplicação tecnológica do bambu, principalmente nas áreas da construção civil e da arquitetura, as propriedades físicas e mecânicas não parecem variar significativamente para espécies que sejam muito similares em termos anatômicos.

Dessa forma, ainda existe uma acirrada polêmica no Brasil quanto à identificação correta do que seria o “bambu gigante”. Em publicações mais antigas, sempre se referiu à identificação dessa espécie como sendo Dendrocalamus giganteus Munro. Porém, algumas identificações botânicas realizadas em partes do território nacional evidenciaram que tal espécie tratava-se, na realidade, do Dendrocalamus asper (Schult.) Backer.

Essa dúvida também ocorreu ao saudoso bambuzeiro Oscar Hidalgo-López, a quem havia enviado uma foto da microscopia do suposto D. giganteus. O ilustre Maestro então me enviou uma correspondência justamente alertando para supostas diferenças entre as fotos dessas duas espécies; uma das fotos lhe havia sido enviada pelo Dr. Walter Liese, da Universidade de Hamburgo e seria, portanto, o D. asper. Infelizmente, embora as ampliações das duas fotos não tenham sido as mesmas, torna-se muito difícil notar algumas sutis diferenças entre as respectivas imagens de D. asper (à esquerda) e D. giganteus (à direita).

Nos grupos de bambuzeiros, tem sido comentada a ocorrência de D. giganteus em algumas (poucas) localidades brasileiras. Sob o ponto de vista da lógica, pode-se então argumentar que, pelo fato de o bambu se propagar de forma vegetativa, seria então muito difícil (para não dizer impossível) que só houvesse uma única (ou um número muito limitado) de representantes de D. giganteus em nosso país.

Como a maioria de espécies de bambus tropicais são propagadas por clonagem, a existência de tão rara espécie em nosso país seria muito improvável, ou então trata-se de um espécime trazido diretamente da Ásia e da qual não foram produzidas as mudas.

Conforme relatos em literatura, a diferenciação entre tais espécies se torna mais evidente no momento da brotação (dezembro a fevereiro), quando se pode observar as diferentes colorações dos brotos – mais arroxeados no caso do D. asper. E, a seguir, os colmos jovens dessa espécie são recobertos por uma penugem marrom-dourada. Também, pode-se intuir que sejam mais “ásperos” do que os colmos de D. giganteus.

Antonio

Licenciado em Matemática (USP-1974), Engenheiro Agrícola (UNICAMP, 1980), Mestre em Eng. Agrícola (UNICAMP, 1987), Docteur en Sciences du Bois (ENSTIB, Nancy, France, 1994). Possui enorme admiração pela "Dádiva dos Deuses" - o Bambu. Co-autor do livro "Bambu de Corpo e Alma", agora em segunda edição, e administrador do site www.apuama.org, projeto pessoal desenvolvido desde 2009.

2 Comentários

  • Caro professor. E quanto àqueles pelos grossos, que parecem mais raízes do que outra coisa, que há em torno dos nós da parte basal? Só ocorrem no Asper ou também existem no Giganteus?

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