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Tratamentos para aumentar a durabilidade do bambu

Um dos maiores entraves à disseminação da utilização do bambu refere-se à baixa durabilidade natural apresentada pela maioria das espécies. Embora o projeto adequado da construção (“proteção por projeto”) seja uma estratégia a ser adotada para aumentar a vida útil do bambu, na maioria das vezes também deve-se proceder ao tratamento preliminar dos colmos.

No primeiro caso, situam-se o corte de colmos maduros (idade superior a 4 anos para a maioria das espécies), a secagem na touceira (“avinagrado”), o tratamento em água (parada ou corrente) e o tratamento com fogo e/ou fumaça. Dentre os tratamentos artificiais situam-se a imersão, a substituição de seiva e a autoclave.Outro fator que interfere na eficiência do tratamento aplicado ao bambu é a natureza do produto químico utilizado para tal, existindo produtos hidrossolúveis (cromo, cobre e boro – CCB e octaborato de sódio – ácido bórico e bórax) e oleossolúveis (creosoto, ácido pirolenhoso etc.)

Traduções

Em 2004, assiti em Guayaquil, Equador, uma apresentação sobre a durabilidade do bambu e fatores que intervem nessa propriedade. O público presente foi brindado com um manual tratando de informações cruciais sobre a durabilidade do bambu. O presente artigo foi escrito, em alemão, pelo Dr. Walter Liese (Universidade de Hamburgo). Posteriormente traduzido para inglês, por Joerg Stamm, e traduzido por mim para português, mediante autorização do Dr. Liese.

Resumo

A baixa durabilidade do colmo de bambu devido à biodegradação quando exposto às intempéries requer sua proteção principalmente com soluções químicas para que seja aumentada sua vida útil. No entanto, sua estrutura anatômica é um fator complicador, pois o bambu oferece maior resistência à penetração de soluções do que se observa com a madeira. A camada externa do colmo é protegida por uma epiderme, que age como se fosse uma barreira impermeável. Não existem caminhos radiais para penetração, como ocorre com os raios da madeira. Também em suas camadas internas, existe uma membrana (pergaminho) que protege o colmo.

A principal via para penetração são os vasos do metaxilema dos feixes vasculares das extremidades do colmo. Eles se encontram distribuídos de forma irregular, alcançando de 8-10% da área total da parede do colmo. A orientação axial é distorcida na região dos nós. O acesso aos vasos é reduzido logo após o corte do colmo devido às reações de cicatrização que preenchem o lúmen. As células parenquimáticas, que envolvem os vasos, se constituem no principal componente do tecido e são conectadas por pequenas perfurações, podendo ser alcançadas apenas por difusão. Seu teor de amido é o principal alimento de insetos e fungos. A proteção das fibras também depende da difusão.

A preservação com solução química é mais eficiente quando os colmos dispõem de umidade (recém cortados), pois os vasos funcionam como se fossem canais, tanto para tratamentos de transpiração radial ou de substituição de seiva. O tecido parenquimático e também as fibras de um colmo recém cortado podem ser tratados pelo método da difusão vertical (transpiração radial). Imersão rápida ou lenta é mais adequada para o tratamento de taliscas (ripas), pois as células parenquimáticas se encontram mais acessíveis à difusão. Tratamento dos colmos em água ou por fumaça são correlacionados naturalmente com as estruturas anatômicas do colmo, especialmente o parênquima.

Palavras-chave

Bambu, estrutura do colmo, proteção, tratabilidade, métodos de preservação

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Foto: Bambusa tuldoides Munro – elementos anatômicos do bambu vistos em Microscopia Eletrônica de Varredura (MEV).

Autor: Antonio L. Beraldo

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Antonio

Licenciado em Matemática (USP-1974), Engenheiro Agrícola (UNICAMP, 1980), Docteur en Sciences du Bois (ENSTIB, Nancy, France, 1994) - o autor possui enorme admiração pela "Dádiva dos Deuses" - o Bambu. Co-autor do livro "Bambu de Corpo e Alma", agora em segunda edição, e administrador do site www.apuama.org, projeto pessoal desenvolvido desde 2009.

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